terça-feira, 7 de junho de 2016

Disco riscado

Era uma bela tarde de sábado, até a campainha tocar. Meu coração deu um salto, já sabia quem era antes mesmo de atender. Espio pelo olho mágico e vejo a peruca laranja que minha sogra gosta de chamar de cabelo e não tenho outra alternativa, além de abrir a porta.
Deixo aquele encosto entrar em minha casa, ela se senta no sofá e, sem nem dar boa tarde, começa a destilar seu veneno.
- Nossa, hoje fiquei pensando no meu filho, coitado.
Lá vem essa naja com esse papinho...
Não dei bola, fingi que não ouvi sua voz irritante.
- Tadinho do meu filho, foi la em casa hoje tão preocupado. Sentou no meu sofá tristinho, perguntei o que ele tinha e ele disse que está preocupado com as contas, agora que vocês se mudaram pra casa nova.
Já me senti tremula de raiva, pois sabia onde essa história ia acabar.
- Pagar as contas da casa sozinho é muita coisa pra ele, coitado.
Pensei em pegar o banana depois e amassar com casca e tudo. Como ele ousava ir no covil chorar? Ele sabia que ela ia jogar isso na minha cara.
Não aguentando mais, respondi de uma só vez:
- Ele não estava preocupado. - respondi. - Estava só cansado de ouvir a senhora falar em dinheiro!


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