quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Tá doente?



“Tá doente?”
Essa era a danosa pergunta que eu tinha que escutar todas as tardes. Já estava em um ponto onde tudo que essa pessoa dizia faziam meus ouvidos doerem. Meu estomago embrulhava só de ouvir a voz dela no quintal.
Vivia em extremo pavor de ouvir aquelas chinelas se arrastando escada acima e, quando ouvia, até o ar me faltava. Ela subia arrastando as sandálias e anunciando sua chegada. Abria a porta como se estivesse na casa dela e já ia invadindo o interior da minha casa.
Às vezes eu sentia lágrimas nos olhos de ódio, pois não havia nem um pingo de privacidade ali. Se eu estava vendo TV, usando o computador ou lendo, ela esticava os olhos para cima do que eu estava fazendo com a maior cara de pau.
Se convidava para sentar no meu sofá e palpitar sobre tudo na minha vida.
Mas o que incomodava mesmo a Naja era o fato de eu não sair. Acho que ela me queria fora de casa para espiar minhas coisas e como eu não saia ela ficava extremamente incômoda.
“Tá doente? “ ela dizia, com aquela cara de cavalo. – “Não sai, só fica entocada em casa.”
Eu devia ter mesmo cara de doente, porque todos os dias que passei naquele lugar tive que ouvir essa pergunta. Pelo simples fato de passar à tarde em casa sem sair. Às vezes eu achava que ela queria me ver saltitando na rua feito uma idiota, ou fofocando no portão.
Quando eu estava dormindo era a mesma coisa. “Tá doente? Ainda dormindo...”
Quando eu fazia algo que ela claramente desaprovava, eu estava doente!
Sim, depois eu descobri que estava mesmo doente. Doente de ter que aturar esse tipo de pergunta, esse tipo de intromissão!
Doente por não ter privacidade na minha própria casa!!!
Oh Naja insuportável! Rsrs


segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Tá no inferno? Abraça a sogra!




 Acho que cheguei a declarar aos quatro cantos do mundo minha indignação pelas atitudes da naja. Tanto que um dia minha mãe (testemunha de muitas crueldades da Naja) pediu que eu tentasse me dar bem com ela, que não fazia sentido levar a cabo aquele ódio todo.
Naquela dia me senti até mesmo culpada por pensar mal da Naja. Cheguei em minha casa e chamei a cobra para um bate-papo com bolo de tarde.
A Naja chegou toda sorridente, comecei a conversar com ela sobre o trabalho (que ela vive reclamando que odeia) e dei razão a ela quando ela dizia se sentir injustiçada no serviço.
Acho que deixei a naja tão a vontade que ela começou a olhar em volta com aquela cara de cavalo. Fez uma cara feia (ainda mais feia) e começou a despejar comentários maldosos do tipo: Você deveria contratar uma faxineira. ( a casa havia sofrido uma infiltração e uma parede estava um pouco mofada) Sua casa está suja...
Se levantou e soltou o verbo:
“Vou pedir pra fulana faxineira vir fazer uma limpeza na sua casa”
“Não, eu sei limpar minha casa. Só está mofada a parede mas isso se resolve pintando”
“Não adianta só passar um paninho, tem que fazer faxina!”
Nessa hora eu esqueci a historia de ser boa samaritana e fazer as pazes, fechei a cara mesmo!
Como aquela naja ousava falar assim comigo depois do que ela fez? (Ver caso: Pegadas de uma Naja e Comida?!)
E ainda quando foi embora veio me dar um abraço e um beijinho.
Tá no inferno? Abraça a sogra! rsrs

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